segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Enloucrescendo

E o que fazer diante do desespero, se não, desesperar-se?!
Quando se está só, ou pelo menos acredita-se que esteja.
Se não acredita, de repente está, de fato, ou talvez não.
Quando a loucura deixa de ser abstrata, e,
você sente sua presença.
Não estarás mais só?!
Perde-se de tudo, ou de si mesmo?
Insegurança, pressão, agonia, náusea.
Quais seus sintomas, como ela se apossa?
Loucura.
É algo que realmente não passa de "coisa da sua cabeça".
Sua, só, e, somente só, sua.
É entre você e ela.
E o mundo não deixa de ser mundo,
as pessoas não deixam de ser pessoas,
Você deixa de ser você.
Não queira senti-la chegar.
É incômodo, agoniante, agonizante, angustiante.
Sozinho, sem ninguém, sem empecilhos.
Um verdadeiro encontro, uma relação Eu-Tu,
sem intermediários, sem interrupções, sem meios, sem obstáculos.
Relação sem alteridade, visto que ela se apossa de, lhe controla, lhe consome.
Loucura...
mas pra quem?
Perguntou-se a um louco, o que achava da loucura:
"Não sei, nunca passei por isso."
Não há como impedir, por que não há como pré-ver.
É como um acidente, inevitável.
Loucura...
sentimento, doença, estado, mundo real, circunstância, possibilidade,
diferente dos outros.
Mas diferente do quê, de quem, de que "outros"?!
Loucura... devia ter fim,
a única forma de acabar, é não ter começo.

2 comentários:

  1. Arrasou!Tu é a minha espécie de cacimba profunda, qual não só é capaz de falar sobre uma relação eu e tu. Mas capaz de me fazer viajar no mais longe de mim e me fazer chegar ao mais próximo q eu possa estar de mim mesma!
    Te amo!!

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  2. Num momento solitário, de quase loucura, de quase perda de sanidade, (ainda bem que) um momento cercado por "quases", até eu, "quase" fiquei a mesma, mas não, cresci, aprendi, enloucresci...!

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