Quando conheciam a gente
Não tínhamos idéia de quem éramos nós
Não tinha motivo para não gostar
Mas de início não era um “desejo” nosso
Amor, ódio, desejo, repulsa, o que sentir do que não se conhece?
Confusão de sentimentos, ocasião, de “quereres”.
Dizer tchau infelizmente ou não, não quis dizer adeus.
A despedida começou antes mesmo do encontro
E só depois da despedida, o encontro começou.
E me perguntei então:
Distância?
O que define estar próximo ou distante?
Quando próximos estávamos mais longe do que nunca estivemos.
Quando distantes, senti sua presença “por vezes tão constante”.
Na tentativa de nos “juntar”, nos afastaram.
Quando tentamos nos juntar...?
Bem talvez ainda estamos tentando, estamos?
Escreveram uma história que não era nossa,
Quer dizer, escreveram uma história com começo, meio e fim
Onde a gente e se encaixa apenas como atores.
E apesar de bons atores, os personagens estavam longe de nos retratar.
Então decidimos ser os autores.
E acabou de vez a ficção.
Era tudo real, foi tudo real, é tudo real.
E não precisamos mais ser atores
Só precisamos assumir o papel que nunca deixou de ser nosso.
Sermos nós, sermos eu e você.
E falando em “não entender” alguma coisa,
A lista seria absurdamente grande.
Começando por mim mesma.
Não sabia a diferença entre qual era meu lugar, meu papel, meu espaço e qual deveria ser.
Se é que deveria existir diferença entre o “ser” e o “dever ser”.
Hoje, sei que não.
Como fomos estereotipados, rotulados, subestimados.
Quando começaram, a gente disse não.
Quando eu comecei, você me odiou.
Quando eu acabei, você começou.
Quando você começou, eu acabei... de novo.
Quando começamos, não dissemos mais não.
E então nos entendemos...
Entendemos???
É. Do nosso jeito, que ninguém conhece, que ninguém sabe.
O nosso jeito, um jeito nosso.
Um jeito montanhoso, cheio de altos e baixos, mas tão firme quanto.
Não sei se lhe conheço, ou se lhe entendo,
Mas também não sei se essa é minha meta, um objetivo.
Conheço você, a cada vez que não surpreendentemente você me surpreende.
Na verdade, nem sei se conheço você.
Não conheço seu jeito de olhar, de falar, de tocar, de reação, de risos, de tristezas.
Porque estamos “distantes”.
Mas conheço você, quando te leio.
Te conheço quando dispenso a presença física,
E pra melhor sentir, fecho os olhos,
E sinto uma presença que revela que a distância é só um conceito abstrato que se concretiza quando eu sinto saudade.