quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Aparente(mente)

O ser humano assume várias formas e faces durante sua longa ou não tão longa estadia de existência na Terra. Não se sabe ao certo o que somos, ou melhor, quem somos.

Não temos olhos internos, não nos enxergamos internamente, isso impede muitas pessoas de verem(-se). Temos alma, e a alma não possui nenhum sentido, não enxerga, não fala, não ouve, apenas É ela própria, sem artifícios, sem rótulos, simplesmente é um Ser existente.

É no corpo então, que se manifestam os desejos inerentes ao individuo, seus sentidos são expressos por seus sentimentos. E a partir dessas expressões as pessoas acreditam conhecer as outras pessoas.

Se choramos, estamos tristes; se sorrimos estamos alegres, se estamos calados, somos pensativos ou tímidos, tudo simples assim.

E desta forma, tentamos (nos) mostrar às pessoas a pessoa que somos através das nossas aparentes expressões (ou de nossas expressões aparentes!?).

Mas a alma de quando em quando se cansa deste jogo de disfarces e acaba por vezes a expressar sua própria face, e aflora de maneira tal que por alguns instantes revelamos(-nos) em essência, e a face oculta da alma, não simplesmente aparece, revela-se.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ensinando e aprendendo

Cada dia me convenço mais de que não temos controle sobre as coisas, ou pelo menos sobre algumas delas.

Tempos difíceis nos fazem lembrar das facilidades que já tivemos, e nos impedem de pensar de como poderiam ser piores, sobrando espaço apenas para reclamações, lamentações.

A dor, o medo, a dúvida, a insegurança, a tristeza, nos deixa inconsequentes, por não pensarmos de maneira imediata no que estamos a fazer (e no que deixamos de fazer também) e nos deixa também não-pensantes, por não (querermos, conseguirmos, tentarmos...) pensar de maneira nenhuma. Agimos então por impulso, por imediatismo, por instinto, o de talvez precisar estar fazendo sempre alguma coisa.

Por vezes não nos contentamos em estar no fundo do poço, e encontramos nossas mãos já cansadas de tanto cavar, achando que essa é a única solução de saída. E assim pensamos porque não voltamos nem nossos olhos, nem nosso espírito para cima, onde há o espaço vazio que deve ser preenchido com sua presença. E como se não bastasse estar em baixo, muitas coisas caem de cima, sobre nossa cabeça, na maioria das vezes areia, que mesmo em grãos tão pequenos nos incomoda de uma maneira sem tamanho, nos fazendo ficar por baixo, enterrados dentre eles. Mas tem momentos em que a prioridade é parar e pensar, estando no poço sem dúvida é um desses momentos, e então é imprescindível que entendamos de maneira clara o que a vida quer que façamos. A cada porção de areia, sacuda-se , tire todo e qualquer grão que estiver sobre você e vá firmando-os abaixo dos seus pés, abaixo de você, coloque-os no lugar que é deles, esteja sempre por cima, forme uma base firme, uniforme, que faça você subir, que te impeça de cair e que faça você escapar da armadilha, e quando você menos esperar o buraco estará tapado e você estará vendo isso sob um outro ponto de vista, e se você estará vendo, deduz-se que você não estará subterrado, mas, livre/liberto.

E então você percebe que ao contrário do que você imaginava o mundo não parou, que as coisas continuaram acontecendo no tempo chronos, enquanto você vivia seu tempo kairós. O mundo é cruel, não espera por você, é um acontecimento contínuo, um fato onde a única constância é a mudança. E você, então, finalmente, recomeça, está pronto, Está (simplesmente). E a passos lentos e à seu tempo você vai tentando acompanhar o ritmo das coisas que estão girando ao seu redor.

Neste novo começo, você (re)encontra pessoas, coisas, sua cabeça volta a funcionar da forma que costuma-se chamar de lógica, você percebe que não foram as pessoas que foram embora, que não foram as coisas que deixaram de ser coisas, que seus problemas não sumiram, que você acreditava por desejo próprio de que tinham sumido, mas não eles continuam, assim como você. Você as reencontra, e vê que elas não sumiram continuam lá, você tentou ocultá-las, escondê-las, fugir, fingir, e de repente se dá conta de que isso não aconteceu e que você entrou no buraco sozinho ( tal como você saiu, com a “ajuda dos que jogavam areia”), seus problemas continuaram do lado de fora esperando serem resolvidos. Problemas que só você pode resolver, resolvê-los sozinhos, mas não sozinho enfiado num buraco.

Nós seres humanos, somos a invenção mais instigante já criada e posta sobre a Terra. Temos o poder de escolher, de reverter as coisas. Somos fortes, somos “supera-dores”, descobridores, criadores, amadores diante da vida que ainda tem muito a aprender, e talvez não por acaso, seja também este o nome que se dá aos amadores de amores, talvez também pelo mesmo motivo. (Se você acredita em coincidência, esta talvez seja uma, mas pode também não ser!).

Mas se tem uma coisa que inevitavelmente somos, é aprendizes. Esteja sempre aprendendo, busque aprender, concretize aprendizados abstratos. Não deixe de aprender tudo que a vida lhe ensinar, e mais que isso, da forma como ela quiser lhe ensinar, lembre-se dos buracos.

E sim, não é fácil. E sim, dá medo. Tenha medo, esta é sua única forma de proteção. E não espere “estar pronto”, você nunca estará, mas esteja sempre preparado, se preparando.