Um ritual, um rito, um acontecimento, um fato.
E de repente se inicia,
Gestos, insinuações, olhares, e que olhares.
Que comem mais que mil bocas famintas.
Despem mais que mil mãos ativas.
Sem lugar, sem local, sem espaço além do que se tem entre os olhares.
Olhares e pensamentos.
Pensamentos, estes acontecem tão rapidamente, que
A eternidade de um instante duram apenas segundos.
O clima está no ar, os olhares foram lançados, as palavras dispensadas e des-pensadas.
E então o beijo! Cheio de todas e, mais algumas intenções.
Abrindo portas, janelas, sentimentos, braços, pernas, desejos...
E mais uma vez, sem local, sem lugar, apenas vontades.
O aqui e agora, não pode parar, não pode esperar, não pode deixar de acontecer.
Encontra-se então: pessoas (ambos), lugar, ocasião, entrega.
E o encontro começa, pontos em comum,
Mesmo objetivo, “se-satisfazer-o-outro”, experimentando, comendo.
E o ritual continua, atiçando todos os sentidos, inclusive, o “sem”.
Cheiros, sabores, visões... os corpos se tocam; as mãos apertam, amassam, arranham...
Não se ouvi, só se escuta, ruídos, barulhos, dizem muito, sem nada além de... (ah!)
Corpos suadores... soadores. Soando mais que dores, amores, prazeres, delírios, arrepios, satisfação.
E de repente, cadê você?!
Ah, por um momento achei que estivesse só, mas não.
O engano foi por estarmos tão intimamente aprofundados, internamente complementados, mais que juntos, penetrados, que éramos um só. Um só corpo, sem términos e começos, sem entrada e saída, apenas atividade, sem sequer uma sobra para o espaço...
A passividade, estava longe dali, e com ela também, a vergonha, o pudor, a noção, a “não-criatividade”...
Éramos um trio: um, o outro e o desejo insaciável, não de ter, mas de possuir. Na tentativa de desapossar você de você, para poder me dar você a mim, na espera de você (se) me dá.
E continua... E a vontade não para com os intervalos (necessários?!)...
E agora, um sentido de cada vez:
Silenciam... olham-se... respiram... acariciam-se, beijam-se!
Os corpos se descolam e se deslocam.
E tentam então colocar as coisas no lugar, inclusive, a si próprios.
E depois de muito se entender sem nada dizer, dizem apenas:
Prazer em conhecer!
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